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Dario de Bittencourt

Atualizado: 19 de set. de 2023




Nascido a 7 de fevereiro de 1901, filho de Maria da Glória Quilião de Bittencourt e Aurélio Viríssimo de Bittencourt Júnior, foi criado pelo seu avô, Aurélio de Bittencourt, após a morte de seu pai, em 1910. Dario de Bittencourt expôs em sua autobiografia nunca mais ter se encontrado com a mãe. Em uma passagem no jornal O Exemplo, Dario foi lembrado como “o futuro menino Dario, filho do nosso amigo Dr. Aurélio Júnior” pelos redatores de O Exemplo. Ele estudou no Ginásio Nossa Senhora da Conceição e bacharelou-se em Direito, porém pela Faculdade Livre, fundada em Porto Alegre com o auxílio de seu pai. Ganhou algumas premiações no Ginásio Nossa Senhora da Conceição pelo belo desempenho. Passou a acessar o Ginásio Anchieta em Porto Alegre no final 1912, assim como o Ginásio Nossa Senhora da Conceição e, recebendo algumas distinções, concluiu o colegial. Dário se preparava desde 1915, realizando exames preparatórios, mas foi somente em 1920 que ele ingressou na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre. Frequentou o curso de vestibular do Padre Werner, do Ginásio Anchieta, onde fez parte da primeira turma a efetuar a prova. Em 1924, conseguiu se tornar bacharel e, mais tarde, trabalhou como professor nessa mesma instituição.


Um pouco antes, em 1918, acessou o curso preparatório do Irmão Weibert, localizado atrás da antiga Catedral Metropolitana. Por ter uma vida um pouco melhor em virtude da respeitabilidade conquistada pelo avô e tutor, obteve acesso a professores particulares de Matemática, Português, Inglês e História Universal. Dario era um homem pardo e destacou o orgulho racial em sua autobiografia, publicada em 1958. Levou uma vida modesta, mas sempre auxiliou para manter o jornal O Exemplo em funcionamento. Ele se manteve firme na tradição que foi criada pelo jornal, que era o combate ao preconceito de cor e a luta pelos direitos da população negra no pós-abolição. Caminhou para a advocacia militante, assim tendo mais recursos para essa luta. Dario circulava pelas organizações negras, fez parte da Sociedade Beneficente Floresta Aurora, fundada em 1872, participou do Conselho Superior da Liga Nacional de Futebol Porto-Alegrense, fundada em 1919, para agregar times compostos com jogadores negros, foi sócio da Sociedade Satélite Porto Alegrense, de 1902, que hoje é conhecida como Satélite Prontidão e, finalmente, fez parte do Grêmio Náutico Marcílio Dias. A sua autodefinição como pardo remetia à situação social e racial intermediária de uma elite negra que procurava ascender e inserir-se socialmente, não apenas em virtude da situação econômica e intelectual, mas sobretudo no sentido de se distinguir da maioria negra, ainda muito vinculada ao período anterior da escravidão.


No espaço da religiosidade. Dario de Bittencourt fez parte da secular Irmandade do Divino Espírito Santo, frequentou colégio jesuíta onde teve instrução religiosa nas décadas de 1940 e 1950, fez parte da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, da Confraria de Nossa Senhora da Conceição e da Devoção de São Cristóvão, além de legionário das obras da Catedral Metropolitana e da matriz de São Sebastião. Mesmo convivendo em espaços religiosos eurocidental, também percorreu a sua raiz africana, assim se envolveu com as religiões de matriz africana. Inclusive, a convivência com uma senhora ex-escrava, Senhorinha de Souza, pode ter auxiliado nas opções de Dario tanto no campo intelectual quanto de identificação étnico-racial. Adepta a religião de matriz africana, ela indicou para Dario buscar outro viés de sua vida espiritual que o completasse. Com seu envolvimento com a religião de matriz africana, ele escreveu o artigo “A liberdade religiosa no Brasil: A Macumba e o Batuque em face da lei”, que enviou, em 1937, ao II Congresso Afro-Brasileiro, realizado em Salvador. O objetivo era apresentar o candomblé africano como religião, buscando uma maior aceitação social, desse modo, distanciando da ideia de feitiçaria. Após os anos 1930, Dario frequentou as casas de nação de Mãe Andreza, Andreza Ferreira da Silva e sua filha de sangue e espiritual, Caixinha, Geraldina Alves Ribeiro, de Dona Moça, de Joana do Bará.


Mesmo percorrendo vários espaços e quase seguindo a carreira que vários membros do periódico seguiram, sendo funcionário público, ele se aposentou em 1957 como professor catedrático de Direito Internacional Privado da Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul. Em 1920, Dario passou a fazer parte da direção de O Exemplo, herdando a tradição de seu avô, pai e tio, assumindo um papel de liderança. Segundo ele, reconhecido socialmente como notória e sabidamente mulato, Dario se coloca nas fileiras de organização do jornal no combate ao preconceito de cor até 1930, quando o jornal encerra os seus trabalhos.






Referências


BITTENCOURT, Dario de. Curriculum vitae–documentário (1901/1957). Porto Alegre: Ética Impressora Ltda, 1958.


PERUSSATTO, Melina Kleinert. Arautos da liberdade: educação, trabalho e cidadania no pós-abolição a partir do jornal O Exemplo de Porto Alegre (c. 1892-c. 1911). 2018.


BARRERAS, Maria José Lanziotti. Dario de Bittencourt (1901-1974): uma incursão pela cultura política autoritária gaúcha. Porto Alegre: Edipucrs, 1998. v. 21.


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