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J. Altair

Atualizado: 25 de jul. de 2023


João Altair de Barros (1934-2013) se tornou J. Altair no universo das artes visuais a partir da década de 1950, quando estudou com o pintor italiano Vicente Perllasca. Altair é, talvez, o único pintor babalorixá no Brasil. Filho de Bará, da nação Yjexá (Ijexá é uma nação africana formada pelos escravizados vindos de ilesa na Nigéria, concentrada nas religiões Batuque e Candomblé, tendo sua base em orunmila-ifá, e seus métodos adivinhatórios dos odú), o artista fez da arte uma profissão de fé. Suas obras remetem a universos de símbolos e cores que plasmam as mitologias da religião dos Iorubás. Sua produção, onde predomina a técnica de acrílico sobre tela, é caracterizada pela intensidade de cores, uma forma de luz que corre por veias ancestrais, por onde se encontram os orixás, suas danças e práticas ritualísticas, ressignificando a herança e o patrimônio negro.


J. Altair foi um artista que deixou marcas para além do Rio Grande do Sul. Nas décadas de 1950, 1960 e 1970 militou em vários movimentos de artes plásticas, ocasiões em que realizou diversas exposições em São Paulo. Em Porto Alegre, fez várias exposições individuais e participou de mostras coletivas importantes como o I Salão de Artes Plásticas em 1970, da Galeria Orca-Morganti, em 1971 e da Galeria Ítalo-Belga, em 1972. Na década de 1990, suas obras encontram espaço no Copacabana Palace Hotel e na Galeria Jean Jacques Urca, no Rio de Janeiro. Também possui obras no acervo de diversas instituições, como a Galeria Salomé em New Orleans (EUA), Museu Internacional de Arte Naif (RJ) e coleções privadas entre as quais se destaca a do artista uruguaio Carlos Paez Vilaró. Está presente em Porto Alegre nos acervos do Margs e da Pinacoteca Aldo Locatelli, da Prefeitura de Porto Alegre. Era original e inovador sendo considerado até hoje um mestre na arte naif no Rio Grande do Sul. Suas últimas mostras individuais foram em novembro de 2012 no Espaço IAB e na Câmara de Vereadores de Porto Alegre.


Antes de encaminhar a carreira de artista, o mestre era letrista por profissão e ativo nos espaços de sociabilidade negra, sendo um dos fundadores, junto, entre outros, com o músico Giba-Giba da Escola de Samba Praiana. Ainda, segundo Daniela Espíndola, foi um dos fundadores, por um breve tempo, em companhia do Nego Lua, do imagético bar Luanda, na Rua José do Patrocínio, 988. J. Altair faleceu na sexta-feira, dia 15 de fevereiro de 2013.



Referências:




ESPÍNDOLA, Daniela Rodrigues. Nego Lua: o legado de um importante e influente militante negro de Porto Alegre. Concurso Décio Freitas/ Funproarte-SMC. Porto Alegre. 2015.


SILVA, Luiz Mariano Figueira. A Formação do Acervo Artístico de Porto Alegre: A gênese das pinacotecas municipais nos anos 1970. Trabalho de Conclusão de Graduação em Museologia. Porto Alegre: UFRGS, 2013.


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