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Igreja Nossa Senhora das Dores (Pelourinho)

Atualizado: 24 de jul. de 2023



É o templo católico mais antigo atualmente em Porto Alegre, um elemento constitutivo da história e da paisagem urbana. Iniciou sua existência como uma pequena capela, quando a Rua dos Andradas ainda era literalmente a Rua da Praia, no Centro Histórico. A estrutura, como é hoje conhecida, começou a ser construída em fevereiro de 1807. Contudo, só foi finalizada totalmente, e após inúmeros percalços, em 1904.


Entre os incontáveis acontecimentos que retardaram sua conclusão está a Revolução Farroupilha (1825-1935), que paralisou as obras até 1857, mas sem fechar a igreja. Foi tombada, no ano de 1938, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, em junho de 2022, recebeu o título de Basílica de Nossa Senhora das Dores.

Os escravizados foram os responsáveis por erguer a igreja, que teve a capela-mor, sua primeira fase, concluída em 1813, com recursos de doações da comunidade. Uma das formas que os senhores de escravos contribuíam para a edificação era emprestar seus cativos para o trabalho árduo e, assim, ficar com a consciência tranquila e a certeza de assegurar “um lugar no céu”.


Por conta de ter demorado quase cem anos para ficar pronta, existe uma lenda que explicaria tal demora. Diz-se que, durante a construção, desapareceram tijolos e materiais de construção e a culpa foi atribuída ao escravizado Josino, que havia sido emprestado por Domingos José Lopes. Outra versão dessa lenda diz que Josino teria furtado uma das pedras preciosas que adornavam a imagem de Nossa Senhora, versão essa encontrada no livro Lendas Gaúchas, de Pedro Haase Filho. Já a versão que envolve material de construção é de Walter Spalding e encontra-se no livro Pequena História de Porto Alegre, de 1967.


Já o historiador Sérgio da Costa Franco refere que, em sua pesquisa, o escravo que foi enforcado chamava-se Manoel e pertencia a Fermino Pereira Soares, cunhado de Domingos, José Lopes, e sua execução aconteceu em 9 de novembro de 1854 (FRANCO, 2006, p. 137) .


Também, há menção de que grande parte do material doado por famílias abastadas era recolhido de volta, depois de demonstrada sua benevolência aos olhos da sociedade e dos religiosos, o que explicaria a demora da construção e o sumiço dos objetos. Ainda assim, a acusação do furto recaiu sobre o escravizado, que foi condenado à morte por enforcamento, sentença proferida por Domingos Lopes.


A forca e o pelourinho, lugares públicos de uma povoação onde se afixavam os papéis públicos e eram punidos e expostos escravizados ao escárnio social, localizavam-se nas proximidades da igreja. Antes de ser executado, Josino pediu ajuda de Deus, alegou sua inocência e rogou uma praga, dizendo que, pela injustiça ali cometida, o seu senhor jamais veria o término da construção das torres da igreja, o que efetivamente aconteceu, pois Domingos José Lopes faleceu antes da conclusão da obra.


O pelourinho representava simbolicamente a autonomia municipal e, em geral, era feito de madeira, com uma argola na ponta, transformando-se, ao longo do tempo, em um símbolo da violência da escravidão no país. Aqui, no estado, diz-se que se encontra um dos raros pelourinhos nacionais que resistiram ao tempo; seria o da cidade de Rio Grande.


Na cidade de Porto Alegre, supõe-se ter existido mais de um, sendo que há registro de que, em 1782, a Câmara Municipal pediu o “padrão da cidade do Rio de Janeiro”, e, em 1810, o pelourinho em frente à igreja foi construído. Estima-se que, entre 1839 e 1865, não existissem mais pelourinhos na cidade. O que se localizava defronte à Basílica de Nossa Senhora das Dores, atualmente Av. Padre Thomé, foi confirmado documentalmente. Diz-se que a “praga” rogada pelo escravizado contribuiu muito para a demolição desse pelourinho.



Referências

FRANCO, Sérgio da Costa. Porto Alegre: guia histórico. 4. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2006.

IGREJA Nossa Senhora das Dores. Projeto Viva o centro. Porto Alegre: Prefeitura Municipal de Porto Alegre, [200?]. Disponível em: http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/vivaocentro/default.php?p_secao=61. Acesso em: 6 dez. 2022.



PELOURINHO: cidade de Porto Alegre. In: Blog Porto Alegre Antigo, o maior presente: dos Antepassados ao Século XXI – A maior história de Porto Alegre em cronológica. Porto Alegre, 22 mar. 2017. Disponível em: http://lealevalerosa.blogspot.com/2017/03/pelourinho-em-porto-alegre-pelourinho.html.Acesso em: 6 dez. 2022.


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