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O PROJETO MEMÓRIAS NEGRAS EM VERBETES – Inventário Participativo de Referências Espaciais, Sociais e Simbólicas realiza um levantamento visando o resgate e desapagamento da presença das populações negras na história de Porto Alegre.

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Verbetes

Atualizado: 18 de dez. de 2025

Mãe Apolinária foi uma ialorixá que teve um papel fundamental para a desconstrução dos estigmas da religião de matriz africana e seu entendimento na capital do Estado, ao abrir sua casa para um grande público externo, permitindo registros jornalísticos com imagens de seus rituais. 


As informações sobre sua trajetória antes da década de 1930, são escassas. 


Registros do folclorista e etnógrafo Carlos Galvão Krebs (1914-1992) descrevem que antes da sua chegada na cidade de Porto Alegre, Apolinária foi filha de Santo da Bahia - estado onde morou - e teve sua iniciação na religião por Mãe Erminda de Oxum Bolomí, no culto dos Pretos Velhos. 

Relatos familiares apontam que teria frequentado o Terreiro de Mãe Menininha do Gantois.


Nascida em Tubarão, no estado de Santa Catarina, em 10 de março de 1912, sua mãe seria escravizada e teria fugido para um quilombo, segundo pesquisa do sociólogo Luis Gustavo Rudwer Silva. 


Conhecida pelas alcunhas de Mãe Picorrucha e Mãe Currucha, chegou em Porto Alegre no ano de 1934, onde se estabeleceu no bairro Mont Serrat, à rua Antonio Parreiras esquina com a Marylan, tendo como condutor na Nação Oyó o Pai Florentino de Ogum.


Neste local, fundou a casa de batuque e umbanda Sociedade Caboclos Amigos, frequentada pelo público vinculado a vários segmentos sociais, lugar que tornou-se também espaço para estudos sobre folclore e psicanálise aberto a partir de 1952. 


Grandes nomes como o do regente e folclorista alemão Friyz Jöde, e o psicanalistas Arnaldo Raskovsy e Ernesto La Plata observaram suas cerimônias para desenvolver estudos a respeito do “estado de santo” (Correio do 1959). 


Mãe Apolinária recebeu menção póstuma com o nome de um logradouro no Morro Santana e ainda hoje restam as ruínas do antigo terreiro que ficou inacabado, localizado na rua Beco de Souza, onde viveu até seu falecimento em 5 de junho de 1958. A homenagem decorreu de seu trabalho de assistência aos doentes e desamparados que abrigava em sua casa. 


Em 1988, centenário da abolição, Mãe Apolinária é reconhecida no calendário Vultos Negros do Rio Grande do Sul.


Essa pesquisa tomou como referência diversas publicações:

  • Pesquisas na internet

  • Jornal CORREIO DO POVO, em uma edição de 1959.

  • Livro de Carlos Krebs: Estudos de Batuque. Porto Alegre: publicação do IGTF, de 1988.

  • Livro de Gomes e Scherer Oliveira: Histórias de Batuques e Batuqueiros. Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre. Publicado em Pelotas, em 2021, e-book.

Livro de Luis Gustavo Ruwer SILVA: Saída de campo à Casa de Mãe Apolinária, de 2018.


Pesquisa de imagem: Leandro Machado

Facebook Ilê 20 de Maio


Facebook Casa de Umbanda Família Nossa Casa

Blog ILÊ AXÉ NAGÔ KÓBI

Site meu coração AFRICANO


Vozes e Olhares – Memórias Negras para Todos

Recurso de acessibilidade do projeto:


O Projeto Memórias Negras valoriza a inclusão e aplica medidas de acessibilidade para que seus conteúdos em vídeo possam ser apreciados por todos. Para o público surdo, são oferecidas legendas, garantindo a compreensão das falas, sons e contextos.


Para pessoas cegas, há o recurso da leitura do verbete em áudio, que descreve imagens, expressões e cenários, permitindo acompanhar a narrativa em sua plenitude.


Ao adotar essas práticas, o Projeto reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à informação, à memória e à cultura negra. Mais do que cumprir uma exigência técnica, trata-se de reconhecer a diversidade e assegurar que cada pessoa possa vivenciar e se identificar com as histórias contadas.



Texto e pesquisa

Jane Mattos


Vozes:

Vitor Ortiz

Regius Brandão

Juliana Bittencourt


Pesquisa e curadoria de imagem:

Leandro Machado


Trilha sonora:

Banda Kalunga


Edição de áudio, vídeo e legendagem:

Juliana Bittencourt


Projeto:

Memórias Negras em Vebetes


Realização: 

Voz Cultural


Apoio:

Sindbancários


Financiamento:

PróCultura; Governo do Estado do RS, Secretaria da Cultural; Lei Paulo Gustavo; Ministério da Cultura, Governo Federal Brasil, União e Reconstrução; 


📢 Compartilhe e fortaleça essa rede de memória!


 
 
 

Atualizado: 14 de out. de 2024



O projeto do Edifício Guaspari é do importante arquiteto espanhol, Fernando Corona (1895 – 1979), que chegou em Porto Alegre ainda adolescente. Além de arquiteto, Corona foi escultor, crítico e professor de arte. O prédio foi inaugurado em 1933 e é um ícone porto-alegrense de arquitetura modernista. Por cerca de 30 anos, ficou escondido sob uma estrutura metálica, até ter sua fachada recuperada em 2017. Atualmente, é protegido como bem cultural de estruturação, o que significa que não pode ser demolido nem ter alterados seus elementos característicos.


Com o crescimento da cidade, foi também crescente a exclusão da população negra das regiões mais centrais para os arrabaldes, produzindo, em determinados locais, um território transicional, ou seja, um “espaço social de trânsito no qual as pessoas se relacionam de maneira fluída por não constituírem uma comunidade permanente”[1]. Era o caso da região localizada entre a frente do edifício Guaspari e o pequeno auditório que a Rádio Gaúcha tinha no Edifício União, na esquina da Av. Borges de Medeiros. Teve maior afluência no período compreendido entre o final dos anos 1960 e o início dos 1970, sendo local de encontro daqueles que saiam do trabalho nas proximidades.


Estes grupos que se reuniam no centro da cidade, incluindo a Rua da Praia (Rua dos Andradas) com a Av. Borges de Medeiros – hoje conhecida como Esquina Democrática – e a frente da Loja Masson, a Rua Riachuelo e na frente do edifício Guaspari, entre outros, acabariam por contribuir decisivamente para o surgimento do Movimento Negro Moderno e na construção de uma nova postura identitária.




Referências:

Ed. Guaspari, uma história de mais de 80 anos. UrbsNova | Agência de Design Social e Inovação. Disponível em: https://urbsnova.wordpress.com/2017/08/09/guaspari/. Acesso em: 08 dez. 2022.


CAMPOS, Deivison Moacir Cezar de. O Grupo Palmares (1971-1978): um movimento negro de subversão e resistência pela construção de um novo espaço social e simbólico. 2006. Dissertação (mestrado). Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2006. Disponível em: https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/2360. Acesso em: 08 dez. 2022.

[1] CAMPOS, Deivison Moacir Cezar de. O Grupo Palmares (1971-1978): um movimento negro de subversão e resistência pela construção de um novo espaço social e simbólico.

 
 
 

Atualizado: 14 de out. de 2024



Lupicínio nasceu em Porto Alegre, no dia 16 de setembro de 1914, às 21h30. Ele foi o quarto filho de Francisco Rodrigues e Abigail Oliveira, que tiveram um total de 21 filhos(as), mas apenas 13 sobreviveram. Ainda criança, Lupicínio já demonstrava interesse pela música – e pelas gurias –, deixando a escola em segundo plano.


Em 1921, frequentou o Externato Dom Sebastião para crianças carentes. Nessa época Lupi ajudava a família com vários bicos, como baleiro, guri de recados e vendedor de pastéis. Em 1927, aos 13 anos, Lupicínio era visto circulando na boemia da Ilhota, Areal da Baronesa e Cidade Baixa, redutos da comunidade negra de Porto Alegre. Aos 14 anos, ele compôs para o bloco Moleza a sua primeira música: uma marchinha nunca gravada intitulada Carnaval.


No início dos anos de 1930, aos 16 anos, Lupicínio é alistado no exército por meio de uma manobra que alterou a sua certidão de nascimento. Assim, foi incorporado como soldado Rodrigues no 7º Regimento de Infantaria, chegando a ser padioleiro na Revolução de 1932. Nessa época, Lupicínio ocupava o posto de cabo. Sua vida militar foi marcada por diversos atos de indisciplina. Chegou a compor um samba criticando a ração recebida pelos soldados, que era sempre charque com farinha. O samba agradou os soldados, mas não caiu no gosto dos comandantes. No ano de 1934, se muda para Santa Maria e, nesse período, compõe Zé Ponte, Felicidade entre outras composições. Nesta cidade, conhece a menina Cerenita, que mais tarde viria a ser sua esposa, na época namorava Inah. Após o curso preparatório de sargentos, Lupicínio deu baixa do quartel, retornando para os doces braços da boemia.


O final dos anos de 1930 foram muito movimentados no que diz respeito a sua carreira musical. Nessa época, trabalhou na faculdade de direito da UFRGS como bedel até 1947. Chegou a criar uma escola de samba que teve pouca duração, participou de concursos musicais e transmissões de eventos festivos. Em 1938, no entanto, compôs um dos seus maiores sucessos, o samba “Se Acaso Você Chegasse”, gravado por diversos artistas como: Gilberto Gil, Francisco Alves, Linda Batista, Gal Costa, entre outros. A música recebeu uma versão instrumental em 1944, para o filme Dançarina Loura (traduzido de Lady, Let´s Dance).


No final dos anos de 1940, Lupi abriu uma churrascaria: Galpão do Lupi. Esse seria o primeiro de uma série de estabelecimentos abertos pelo artista. A maioria teve vida curta, mas fica o registro da veia empreendedora. Esses locais eram como uma casa para acolher os amigos de Lupicínio, espaços de trocas e produção musical.


Em 1948, Francisco Alves grava a canção “Nervos de Aço”. Este momento marca uma fase de grande reconhecimento. Em 1951, a música “Vingança” é um estrondoso sucesso nacional. A década de 1950 para Lupicínio é muito positiva na história de sua carreira. Nesse período ele transita entre os grandes centros nacionais do Rio de Janeiro e de São Paulo, se apresenta em várias casas de show e participa de programas na Rádio Record. Em 1952, grava pelo selo Copacabana o álbum Roteiro de um Boêmio. No mesmo ano grava quatro canções em dois discos: “Tola”, “O Morro de Luto”, “Pregador de Bolinha” e “Já Sofri”. Em 1953, grava o “Hino do Grêmio”, inspirado em uma greve de ônibus.


A discografia de Lupicínio: Francisco Egydio, Vive os Sucessos de Lupicínio Rodrigues - LP 1963 (Odeon); Jamelão - Interpreta Lupicínio Rodrigues - LP 1972 (Continental); Lupicínio Rodrigues - Gravações Originais - LP 1974 (Discos Copacabana); Nelson Coelho de Castro, Gelson Oliveira, Bebeto Alves, Paulo Gaiger, Neusa Ávila, Pery Sousa, Nanci Araújo - Coompor Canta Lupi - LP 1989; Vários Interpretes Revivendo 4 CDs - CD (Cedar Revivendo); e Thedy Corrêa Lupicínio - CD 2005 (Orbe). Uma biografia musical sobre Lupicínio, de autoria de Arthur de Faria, foi lançada recentemente – uma oportunidade para conhecer mais sobre a sua trajetória como grande compositor que foi.


Falando em Grêmio, Lupicínio era amante do futebol, principalmente dos times da liga da Canela Preta. Times estes que eram compostos majoritariamente por pessoas de cor (como chamavam os negros na época) que viviam nas áreas consideradas como território negro como a Ilhota, local de origem de Lupi. O motivo de Lupicínio ter se tornado gremista está no fato da recusa do Sport Club Internacional em admitir o time Rio Grandense na liga, essa atitude do Inter fez com que aqueles participantes do time preterido se tornassem torcedores fervorosos do tricolor porto-alegrense, incluindo seu Francisco, pai de Lupi. Esse evento, nas palavras de Lupicínio, deu origem à liga da Canela Preta. Em 21 de junho de 1953, uma greve dos transportes públicos dificultou o deslocamento dos torcedores para o estádio para assistirem o certame entre Grêmio e Cruzeiro-POA. O jeito foi ir a pé ao estádio, que ficava localizado onde hoje é o Parque Moinhos de Vento. E foi assim que surgiu o primeiro verso do hino Grêmio “Até a pé nós iremos”.


Em 1966, um incidente marcou a sua trajetória na cidade: Lupicínio foi vítima de racismo na Lancheria e Rostiere Olé, localizada na rua dos Andradas. O gerente do estabelecimento disse a Lupi que a lancheria seria privativa da raça branca. O caso ganhou repercussão na imprensa, os responsáveis do estabelecimento foram enquadrados na Lei Afonso Arinos. Houve grande manifestação da comunidade negra de Porto Alegre. Os manifestantes ocuparam o estabelecimento onde havia ocorrido o episódio e foram atendidos sem problemas.


Outra faceta que é pouco explorada é o Lupicínio na vida política. O pesquisador Marcelo Campos nos informa que:


Em 1959, Lupicínio aceitou um convite para concorrer pelo Partido Republicano (PR), uma sigla pequena e que, no Rio Grande do Sul, também servia de refúgio para comunistas do PCB. A plataforma política do compositor era meio difusa, mesclando temas como exploração pelo capital estrangeiro, a alta do custo de vida e a preocupação social com os trabalhadores da noite, numa espécie de "nacionalismo boêmio". Mas a população não comprou a ideia, e o resultado foram míseros 396 votos, que não davam nem para a saída. Lupi nunca mais concorreu a um cargo eletivo.


Essa sua participação na política deve ser levada em consideração uma vez que outras personalidades negras relacionadas ao samba, como Grande Otelo (amigo de Lupi) e Paulo da Portela, de alguma maneira, dialogam com o Partidão. O que revela a inserção de personalidades negras nas discussões sobre o socialismo.


Lupicínio Rodrigues ficou conhecido como o compositor da dor de cotovelo. Foi reconhecido dentro e fora do Rio Grande do Sul. Inúmeros intérpretes tiveram a honra de emprestar a voz às mais belas canções do morador ilustre da ilhota. Foram mais de vinte e cinco sucessos. Mesmo sendo um artista conhecido, Lupi não escapou a malha fina do racismo. Foi um defensor da comunidade negra. Para além do artista, conhecemos também o espírito combativo de Ogum nesse enorme compositor. No dia 21 de agosto de 1974, depois de uma vida intensa e interessante, Lupi partiu, nos deixando saudades que matamos quando escutamos suas composições. Porque tudo o que Lupi pedia a esses moços é que acreditassem nele. Assim, que as novas gerações desfrutem das palavras em forma de poema que o nosso querido Lupicínio exalou como aroma de uma roseira.



Referências


CAMPOS, Marcello. Almanaque do Lupi. Porto Alegre: Editora da Cidade: Letra&Vida, 2015.


GERBASE, Carlos. Lupi: Pode entrar que a casa é tua. Porto Alegre: Farol Santander Porto Alegre, 2023.


GOULART, Mario. Lupicínio Rodrigues. Porto Alegre: Ed. Tchê, 1984.


LUPICÍNIO Rodrigues. In: WIKIPEDIA: the free encyclopedia. San Francisco, CA: Wikipedia Foundation, 29 mar. 2023. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lupic%C3%ADnio_Rodrigues. Acesso em: 6 maio 2023.


MARCELO Campos fala sobre a biografia de Lupicínio Rodrigues. In: Gaúcha ZH. [S. l.], 23 mar. 2015. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2015/03/marcelo-campos-fala-sobre-a-biografia-de-lupicinio-rodrigues-4723656.html. Acesso em: 6 maio 2023.


 
 
 

Nossos objetivos na 2ª edição

Confira as metas da segunda edição do projeto MEMÓRIAS NEGRAS EM VERBETES – Inventário Participativo de Referências Espaciais, Sociais e Simbólicas Projeto realizado com recursos da Lei Complementar nº 195/2022. 

01

+ 50 Verbetes no site

A segunda edição prevê em suas metas a publicação de mais 50 verbetes, totalizando 100 verbetes no blog até o final desta etapa.

03

Mobilização da comunidade

Mobilizar pessoas representativas e instituições do movimento negro porto-alegrense para debater o projeto.

02

Audiodescrição dos conteúdos do site

Nosso projeto agora terá o recursos de audiodescrição, tornando a pesquisa acessível a mais pessoas.

04

Audiolivro

Montar Audiolivro unindo os episódios do Desapaga POA e do Memórias Negras em Verbetes.

Reportagens

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Verbetes em destaque

O Príncipe Custódio, figura histórica envolta em mistério, faleceu em Porto Alegre em 1935 e nasceu na África no século XIX. Duas narrativas principais disputam sua origem: uma o vincula à realeza do Benin, atribuindo-lhe importância no batuque e no assentamento do Bará do Mercado, enquanto outra o identifica como filho de um comerciante de escravos africano, chegando a Porto Alegre após disputas familiares. Custódio se destacou na cidade tanto por sua participação nas corridas de cavalos quanto por sua liderança religiosa, sendo reconhecido por sua influência nos cultos africanos e por seu papel de mediador entre a população negra e a elite. Seu legado segue relevante para o movimento negro e para as discussões políticas e religiosas no Rio Grande do Sul.

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Príncipe Custódio

Lupicínio Rodrigues, nascido em Porto Alegre em 1914, destacou-se como um dos maiores compositores da música brasileira, conhecido como o mestre da "dor de cotovelo". Desde cedo, transitou pela boemia e pela música, conciliando sua trajetória com uma breve passagem pelo exército e uma vida marcada por empreendedorismo e engajamento social. Suas composições, como Se Acaso Você Chegasse e Nervos de Aço , tornaram-se clássicos, interpretados por grandes nomes da música. Gremista fervoroso, compôs o hino do Grêmio e participou ativamente da cena cultural e política, chegando a disputar uma eleição. Mesmo reconhecidos nacionalmente, episódios de racismo, o que reforçou seu papel na luta pelos direitos da comunidade negra. Faleceu em 1974, deixando um legado imortal na música popular brasileira.

Lupicínio Rodrigues

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Tambor – Museu de Percurso do Negro

O Tambor Amarelo, instalado na Praça Brigadeiro Sampaio em 2010, tornou-se um símbolo da presença e trajetória do negro em Porto Alegre, sendo um marco do Museu de Percurso do Negro. Concebido por um coletivo de artistas e griôs, com base em uma pesquisa antropológica de Iosvaldyr Bittencourt, a obra foi desenvolvida em um processo coletivo inspirado em valores civilizatórios africanos. Além de resgatar a memória negra no antigo Largo da Forca, o tambor representa a diversidade cultural afro-brasileira e denuncia a pouca representatividade da cultura africana nos monumentos da capital gaúcha. Hoje, a escultura fortalece a identidade negra e ressoa com imigrantes africanos e latino-americanos que chegam ao Rio Grande do Sul. O trabalho dos artistas e griôs envolvidos reforça a importância da arte coletiva e da ancestralidade na construção da memória urbana. Mais do que um monumento, o Tambor Amarelo é um convite ao reconhecimento e à valorização da história negra na cidade.

Pelópidas Thebano Ondemar Parente (1934-2022) foi um renomado artista plástico, desenhista e figurinista de Porto Alegre, destacando-se na arte afrocentrada e no carnaval da cidade. Servidor público por décadas, contribuiu com projetos arquitetônicos e participou da concepção do Aeromóvel. Suas obras abordam a diáspora africana e a identidade negra, refletindo sobre a influência cultural afro-brasileira. Foi um dos idealizadores da Frente Negra de Arte e autor de marcos visuais do Museu de Percurso do Negro, como o Tambor Amarelo. Seu legado é reconhecido em diversas exposições e premiações, consolidando-o como uma referência na arte negra no Rio Grande do Sul.

Pelópidas Thebano

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Wilson Tibério (1916-2005), conhecido como Tibério, foi um artista afro-brasileiro engajado no debate antirracista e colonialista do século XX. Natural de Porto Alegre, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes, destacando-se por sua arte voltada à vivência da população negra. Em 1947, emigrou para a França, viajando por diversos países e se aproximando do movimento Négritude. Sua produção artística denunciava o colonialismo e exaltava a diáspora africana, com obras que hoje integram acervos como a Pinacoteca Ruben Berta, a UFRGS e o Museu Afro Brasil.

Wilson Tibério

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A Ilhota era uma pequena porção de terra na Cidade Baixa, Porto Alegre, formada pelo meandro do Arroio Dilúvio e delimitada pelas atuais avenidas Getúlio Vargas e Érico Veríssimo. Surgida em 1905, tornou-se um núcleo habitado por uma população majoritariamente negra e de baixa renda, conhecida por sua forte tradição boêmia e carnavalesca, sendo berço do samba e lar de Lupicínio Rodrigues. Com a canalização do Arroio Dilúvio após a enchente de 1941, a área foi alvo de interesse imobiliário e sofreu uma brutal remoção populacional no final da década de 1960, deslocando muitos moradores para a Restinga, então uma periferia sem infraestrutura adequada.

Ilhota

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Durante o século XIX, os Campos da Redenção, inicialmente uma grande várzea alagadiça fora da cidade de Porto Alegre, foram um importante local para celebrações culturais e religiosas da população negra, como o Candombe da Mãe Rita e outros batuques, realizados com tambores e danças. Esses festejos, mencionados por cronistas da cidade, ocorreram especialmente na área ao redor da atual rua Avaí e nas proximidades da Capelinha do Bom Fim. Em 1884, a Várzea foi oficialmente renomeada para Campos da Redenção para comemorar a libertação dos escravizados em Porto Alegre, embora a abolição tenha sido limitada e parcial, com muitos negros ainda vivendo como libertos ou escravizados. A nova denominação refletia o legado da resistência e presença cultural dos negros na cidade.

Campos da Redenção

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Dario de Bittencourt, nascido em 1901, foi um importante advogado, educador e ativista negro, com uma trajetória marcada pela luta contra o preconceito racial e pela valorização das tradições culturais negras. Criado por seu avô após a morte do pai, Dario teve uma educação privilegiada, estudando em instituições renomadas e se graduando em Direito pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre. Ao longo de sua vida, foi membro ativo de diversas organizações negras, como a Sociedade Beneficente Floresta Aurora e o Grêmio Náutico Marcílio Dias, e participou ativamente do jornal O Exemplo, que combatia o racismo. Além disso, Dario se envolveu com religiões de matriz africana, defendendo a aceitação do Candomblé como religião legítima. Em sua carreira acadêmica, foi professor catedrático de Direito Internacional Privado na Universidade do Rio Grande do Sul e se aposentou em 1957, mantendo seu compromisso com a luta contra a discriminação racial até sua morte.

Dario de Bittencourt

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Em 2 de julho de 1949, a Folha da Tarde fez um convite aberto aos homens de cor de Porto Alegre para a fundação de um clube náutico, inicialmente chamado José do Patrocínio, mas que recebeu o nome de Marcílio Dias, em homenagem ao intelectual negro. O Clube foi criado com o objetivo de proporcionar aos jovens negros o acesso a esportes como remo e natação, atividades que eram negadas pelos clubes brancos da cidade. Fundado em 4 de julho de 1949, o clube teve como principais articuladores figuras como João Nunes de Oliveira e Armando Hipólito dos Santos. Em 1950, abriu oficialmente sua sede na Avenida Praia de Belas, sendo um ponto de encontro para festas e eventos importantes da comunidade negra local. Na década de 1960, o clube lançou o jornal Ébano, e embora tenha enfrentado dificuldades com sua sede, incluindo a construção de um ginásio destruído por ventos fortes, o clube seguiu promovendo atividades até seu fechamento na década de 1970.

Clube Náutico Marcílio Dias

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A área do atual bairro Mont'Serrat, até meados do século XX e talvez até as décadas de 1980/90, era conhecida como a Bacia do Mont'Serrat, um território predominantemente negro com registros desde o início do século XX. O bairro teve sua origem marcada pela presença de famílias negras, com destaque para a Rua Arthur Rocha, nomeada em homenagem ao dramaturgo negro Arthur Rodrigues da Rocha. A Bacia do Mont'Serrat foi uma área de forte religiosidade, com várias casas de batuque e terreiros de matriz africana, e se tornou um ponto de encontro de trabalho e sociabilidade para as famílias negras da região, com destaque para atividades como a lavagem de roupas e o trabalho de costureiras. Além disso, o bairro foi berço de tradições culturais como blocos de carnaval e piqueniques dominicais. No entanto, com o processo de urbanização e transformação social, o antigo território negro se perdeu, embora ainda resista uma presença negra na região.

Bacia do Mont'Serrat

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