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O PROJETO MEMÓRIAS NEGRAS EM VERBETES – Inventário Participativo de Referências Espaciais, Sociais e Simbólicas realiza um levantamento visando o resgate e desapagamento da presença das populações negras na história de Porto Alegre.

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Verbetes

Atualizado: 14 de out. de 2024



Nego Lua é uma referência para o ativismo militante negro contemporâneo. Batizado com o nome de José Alves Bittencourt, nasceu em Bagé, em 29 de julho de 1942, mas foi em Porto Alegre, onde passou a ser conhecido como Lua, que se construiu como um ativista na luta pela igualdade racial e por uma sociedade mais justa de direitos e cidadania. Foi a vivência nos espaços de sociabilidade negra e a formação política que forjaram essa militância. Embora tivesse pouca escolaridade formal, era reconhecido e respeitado pela leitura e interpretação na prática cotidiana de clássicos da literatura política. Nos anos 1970, foi um dos fundadores do Movimento Negro Unificado (MNU). Na década seguinte, ajudou a fundar e organizar, no Estado, o Partido dos Trabalhadores (PT), onde coordenou o núcleo negro do partido no Rio Grande do Sul. Incansável, no final dos anos 1990 e começo do novo século, passou a coordenar a Assessoria de Políticas Públicas para o Povo Negro na Frente Popular da Prefeitura de Porto Alegre (governos petistas de 1989 a 2002).

No entanto, suas marcas mais conhecidas são o fato de ter idealizado e criado o Grupo de Trabalho Angola Janga, em 11 de novembro de 2002, que é como os portugueses chamavam o Quilombo dos Palmares, expressão que significa “Angola Pequena”, e onde a ideia de quilombo pode ser entendida como uma sociedade mais igualitária. Outro foco de luta do militante foi pela construção do Centro de Referência Afro-brasileiro (CRAB). Idealizado para ser um espaço agregador e propositivo para o ativismo negro em torno das lutas por igualdade racial, ele não foi realizado, mas continua na pauta de boa parte das associações do movimento – em grande parte, seguramente, pela tenacidade com que Nego Lua defendia essa ideia. O trabalho deste idealista, entretanto, está visível quando se percorre a cidade no Museu de Percurso do Negro, obra de que foi, também, um dos idealizadores, tendo lutado arduamente para que fosse realizada, o que fez presidindo o Conselho Gestor do Museu até 10 de novembro de 2009, ano em que faleceu sem ver erguido O Tambor, primeiro e significativo marco do Museu.


Nego Lua passou a maior parte da sua juventude morando na Rua Cabo Rocha (hoje Prof. Freitas de Castro), um dos locais da cidade marcados pela sociabilidade negra. Sua atividade laboral como carregador e estivador no porto da capital é sinônimo de um dos tipos de trabalho realizado majoritariamente por negros. Fato pouco conhecido, mas importante para se entender o percurso militante do Nego Lua, foi ele ter sido um dos fundadores e proprietário, por breve período, do bar Luanda, na Rua José do Patrocínio, 988. Lua só conseguiu comprá-lo, segundo Daniela Espíndola, por meio de indenização após sofrer acidente durante seu trabalho no porto. Foi fundamental ainda para a sua formação militante, o diálogo que veio a estabelecer nos anos 1970 com Helena Vitória Machado e Oliveira Silveira.






Referências:


ESPÍNDOLA, Daniela Rodrigues. Nego Lua: o legado de um importante e influente militante negro de Porto Alegre. Concurso Décio Freitas/ Funproarte-SMC. Porto Alegre. 2015.

VILASBOAS, Ilma Silva; BITTENCOURT JÚNIOR, Iosvaldyr C; SOUZA, Vinicius Vieira. Museu de Percurso do Negro em `Porto Alegre. Editora Porto Alegre, 2010


 
 
 

Atualizado: 14 de out. de 2024



Batizado Luiz Airton Farias Bastos em 19 de dezembro de 1950, no bairro Menino Deus, Nega Lu, como tornou-se popularmente conhecido, pertencia a um dos núcleos de famílias negras deste bairro. O pequeno comércio do avô paterno e da prestação de serviços foi a base de sustentação da família Bastos. Este pequeno negócio foi impulsionador do acesso ao magistério por uma de suas tias. Apesar de católicos praticantes, sua bisavó paterna era uma conhecida ialorixá (do batuque) na região, prática religiosa que envolvia parte da família paterna.

Órfão de mãe ainda muito criança, foi criado por esta avó ialorixá na casa onde morou toda a sua vida. A música, muito presente e marcante, foi um legado de seu bisavô pianista.

Sua trajetória estava ligada a sua atuação no circuito cultural da cidade de Porto Alegre nas décadas de 1970 a 1990. Estudou na Escola Infante Dom Henrique, onde já ensaiava seus primeiros solos inspirados nas cantoras americanas Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Janis Joplin, com uma potente voz, destacando-se nas gincanas estudantis. Foi solista dos corais da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi bailarino clássico, coreógrafo de peças e desfiles de moda, lecionou dança, jazz e postura na Escola de Modelos La Porta.

Atuava no carnaval de rua do Menino Deus, onde marcou como um dos destaques mais conhecidos da famosa Banda da Saldanha. Nega Lu faleceu em 17 de setembro de 2005, antes de presenciar os direitos conquistados pela comunidade gay da qual fazia parte ativamente na cidade.

Na cidade baixa, há poucos anos, surgiu uma mural em grafite na rua Lima e Silva em sua homenagem.



 
 
 

Atualizado: 14 de out. de 2024



Maria Lídia Magliani (Pelotas, 1946 – Rio de Janeiro, 2012) nasceu em uma família de artistas e decidiu ser pintora. Na verdade, se tornou uma multiartista: foi atriz, desenhou figurinos, fez arte gráfica, objetos tridimensionais e realizou cenografias. Criança, foi morar em Porto Alegre, na periferia, no bairro Sarandi. Sua história no mundo artístico se inicia em 1963, quando passa a estudar artes no então Instituto de Belas Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo a primeira mulher negra a receber diploma de artista daquela universidade em 1966.


O trabalho de Magliani logo se torna referência no Estado. A artista passa a viver em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, tendo participado ao longo da carreira de mais de 100 exposições individuais e coletivas. Contando com obras nos acervos dos principais museus públicos e privados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, é nome de rua no bairro Campo Novo, na capital gaúcha.


Embora nunca tenha se declarado militante, sua obra é considerada de grande força poética e atravessada por temáticas feministas, raciais e políticas. Suas pinturas enfatizam de uma forma dilacerada e trágica a figura humana e o corpo da mulher dentro de uma sociedade misógina. O professor Paulo Gomes, do Instituto de Artes da UFRGS, diz que apesar das dificuldades de ser artista, mulher e negra à época (anos 1960), Magliani conseguiu um reconhecimento rápido dentro de um sistema que por princípio é bastante fechado e machista. Criou boa parte das suas obras no período da ditadura civil-militar.


Apesar de ter passado por sérias dificuldades financeiras no fim da vida, é indiscutível a importância de sua obra, na atualidade, para estudantes, artistas, pesquisadores e curadores negros, ressalta o professor Paulo Gomes (2022):


O trabalho dela tem grande relevância porque ela transformou-se realmente em um exemplo. Um exemplo de mulher negra, artista bem-sucedida, que era de uma classe social baixa, que faz uma universidade pública e consegue estudar, se formar e projetar uma carreira nacional de grande relevância.


A artista pioneira que quebrou uma série de barreiras ao longo da vida, produzindo com reconhecimento numa sociedade machista, autoritária e racista, sem nunca se render aos modismos da arte, construiu uma biografia que é referência para jovens negros e negras que procuram lançar questões pungentes sobre a sociedade atuando no campo das artes.



Referências:


GOMES, Paulo. Poética visual marcante de Maria Lídia Magliani inspira novas gerações. [Entrevista cedida a] Victoria Rodrigues. Jornal da Universidade, Porto Alegre, 30 jun. [2022]. Disponível em: ufrgs.br/jornal/poética-visual-marcante-de-maria-lidia-magliani-inspira-novas-geracoes. Acesso em: 03/12/2021


ROSA, Renato. Magliani: A solidão do corpo. Pinacoteca Aldo Locatelli. Prefeitura de Porto Alegre, 2013.


OLIVEIRA, Luanda Dalmazo. Maria Lídia Magliani: uma trajetória possível. Trabalho de Conclusão de Curso. Instituto de Artes, Curso de História da Arte, Porto Alegre, 2018



 
 
 

Nossos objetivos na 2ª edição

Confira as metas da segunda edição do projeto MEMÓRIAS NEGRAS EM VERBETES – Inventário Participativo de Referências Espaciais, Sociais e Simbólicas Projeto realizado com recursos da Lei Complementar nº 195/2022. 

01

+ 50 Verbetes no site

A segunda edição prevê em suas metas a publicação de mais 50 verbetes, totalizando 100 verbetes no blog até o final desta etapa.

03

Mobilização da comunidade

Mobilizar pessoas representativas e instituições do movimento negro porto-alegrense para debater o projeto.

02

Audiodescrição dos conteúdos do site

Nosso projeto agora terá o recursos de audiodescrição, tornando a pesquisa acessível a mais pessoas.

04

Audiolivro

Montar Audiolivro unindo os episódios do Desapaga POA e do Memórias Negras em Verbetes.

Reportagens

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Verbetes em destaque

O Príncipe Custódio, figura histórica envolta em mistério, faleceu em Porto Alegre em 1935 e nasceu na África no século XIX. Duas narrativas principais disputam sua origem: uma o vincula à realeza do Benin, atribuindo-lhe importância no batuque e no assentamento do Bará do Mercado, enquanto outra o identifica como filho de um comerciante de escravos africano, chegando a Porto Alegre após disputas familiares. Custódio se destacou na cidade tanto por sua participação nas corridas de cavalos quanto por sua liderança religiosa, sendo reconhecido por sua influência nos cultos africanos e por seu papel de mediador entre a população negra e a elite. Seu legado segue relevante para o movimento negro e para as discussões políticas e religiosas no Rio Grande do Sul.

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Príncipe Custódio

Lupicínio Rodrigues, nascido em Porto Alegre em 1914, destacou-se como um dos maiores compositores da música brasileira, conhecido como o mestre da "dor de cotovelo". Desde cedo, transitou pela boemia e pela música, conciliando sua trajetória com uma breve passagem pelo exército e uma vida marcada por empreendedorismo e engajamento social. Suas composições, como Se Acaso Você Chegasse e Nervos de Aço , tornaram-se clássicos, interpretados por grandes nomes da música. Gremista fervoroso, compôs o hino do Grêmio e participou ativamente da cena cultural e política, chegando a disputar uma eleição. Mesmo reconhecidos nacionalmente, episódios de racismo, o que reforçou seu papel na luta pelos direitos da comunidade negra. Faleceu em 1974, deixando um legado imortal na música popular brasileira.

Lupicínio Rodrigues

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Tambor – Museu de Percurso do Negro

O Tambor Amarelo, instalado na Praça Brigadeiro Sampaio em 2010, tornou-se um símbolo da presença e trajetória do negro em Porto Alegre, sendo um marco do Museu de Percurso do Negro. Concebido por um coletivo de artistas e griôs, com base em uma pesquisa antropológica de Iosvaldyr Bittencourt, a obra foi desenvolvida em um processo coletivo inspirado em valores civilizatórios africanos. Além de resgatar a memória negra no antigo Largo da Forca, o tambor representa a diversidade cultural afro-brasileira e denuncia a pouca representatividade da cultura africana nos monumentos da capital gaúcha. Hoje, a escultura fortalece a identidade negra e ressoa com imigrantes africanos e latino-americanos que chegam ao Rio Grande do Sul. O trabalho dos artistas e griôs envolvidos reforça a importância da arte coletiva e da ancestralidade na construção da memória urbana. Mais do que um monumento, o Tambor Amarelo é um convite ao reconhecimento e à valorização da história negra na cidade.

Pelópidas Thebano Ondemar Parente (1934-2022) foi um renomado artista plástico, desenhista e figurinista de Porto Alegre, destacando-se na arte afrocentrada e no carnaval da cidade. Servidor público por décadas, contribuiu com projetos arquitetônicos e participou da concepção do Aeromóvel. Suas obras abordam a diáspora africana e a identidade negra, refletindo sobre a influência cultural afro-brasileira. Foi um dos idealizadores da Frente Negra de Arte e autor de marcos visuais do Museu de Percurso do Negro, como o Tambor Amarelo. Seu legado é reconhecido em diversas exposições e premiações, consolidando-o como uma referência na arte negra no Rio Grande do Sul.

Pelópidas Thebano

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Wilson Tibério (1916-2005), conhecido como Tibério, foi um artista afro-brasileiro engajado no debate antirracista e colonialista do século XX. Natural de Porto Alegre, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde estudou na Escola Nacional de Belas Artes, destacando-se por sua arte voltada à vivência da população negra. Em 1947, emigrou para a França, viajando por diversos países e se aproximando do movimento Négritude. Sua produção artística denunciava o colonialismo e exaltava a diáspora africana, com obras que hoje integram acervos como a Pinacoteca Ruben Berta, a UFRGS e o Museu Afro Brasil.

Wilson Tibério

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A Ilhota era uma pequena porção de terra na Cidade Baixa, Porto Alegre, formada pelo meandro do Arroio Dilúvio e delimitada pelas atuais avenidas Getúlio Vargas e Érico Veríssimo. Surgida em 1905, tornou-se um núcleo habitado por uma população majoritariamente negra e de baixa renda, conhecida por sua forte tradição boêmia e carnavalesca, sendo berço do samba e lar de Lupicínio Rodrigues. Com a canalização do Arroio Dilúvio após a enchente de 1941, a área foi alvo de interesse imobiliário e sofreu uma brutal remoção populacional no final da década de 1960, deslocando muitos moradores para a Restinga, então uma periferia sem infraestrutura adequada.

Ilhota

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Durante o século XIX, os Campos da Redenção, inicialmente uma grande várzea alagadiça fora da cidade de Porto Alegre, foram um importante local para celebrações culturais e religiosas da população negra, como o Candombe da Mãe Rita e outros batuques, realizados com tambores e danças. Esses festejos, mencionados por cronistas da cidade, ocorreram especialmente na área ao redor da atual rua Avaí e nas proximidades da Capelinha do Bom Fim. Em 1884, a Várzea foi oficialmente renomeada para Campos da Redenção para comemorar a libertação dos escravizados em Porto Alegre, embora a abolição tenha sido limitada e parcial, com muitos negros ainda vivendo como libertos ou escravizados. A nova denominação refletia o legado da resistência e presença cultural dos negros na cidade.

Campos da Redenção

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Dario de Bittencourt, nascido em 1901, foi um importante advogado, educador e ativista negro, com uma trajetória marcada pela luta contra o preconceito racial e pela valorização das tradições culturais negras. Criado por seu avô após a morte do pai, Dario teve uma educação privilegiada, estudando em instituições renomadas e se graduando em Direito pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre. Ao longo de sua vida, foi membro ativo de diversas organizações negras, como a Sociedade Beneficente Floresta Aurora e o Grêmio Náutico Marcílio Dias, e participou ativamente do jornal O Exemplo, que combatia o racismo. Além disso, Dario se envolveu com religiões de matriz africana, defendendo a aceitação do Candomblé como religião legítima. Em sua carreira acadêmica, foi professor catedrático de Direito Internacional Privado na Universidade do Rio Grande do Sul e se aposentou em 1957, mantendo seu compromisso com a luta contra a discriminação racial até sua morte.

Dario de Bittencourt

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Em 2 de julho de 1949, a Folha da Tarde fez um convite aberto aos homens de cor de Porto Alegre para a fundação de um clube náutico, inicialmente chamado José do Patrocínio, mas que recebeu o nome de Marcílio Dias, em homenagem ao intelectual negro. O Clube foi criado com o objetivo de proporcionar aos jovens negros o acesso a esportes como remo e natação, atividades que eram negadas pelos clubes brancos da cidade. Fundado em 4 de julho de 1949, o clube teve como principais articuladores figuras como João Nunes de Oliveira e Armando Hipólito dos Santos. Em 1950, abriu oficialmente sua sede na Avenida Praia de Belas, sendo um ponto de encontro para festas e eventos importantes da comunidade negra local. Na década de 1960, o clube lançou o jornal Ébano, e embora tenha enfrentado dificuldades com sua sede, incluindo a construção de um ginásio destruído por ventos fortes, o clube seguiu promovendo atividades até seu fechamento na década de 1970.

Clube Náutico Marcílio Dias

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A área do atual bairro Mont'Serrat, até meados do século XX e talvez até as décadas de 1980/90, era conhecida como a Bacia do Mont'Serrat, um território predominantemente negro com registros desde o início do século XX. O bairro teve sua origem marcada pela presença de famílias negras, com destaque para a Rua Arthur Rocha, nomeada em homenagem ao dramaturgo negro Arthur Rodrigues da Rocha. A Bacia do Mont'Serrat foi uma área de forte religiosidade, com várias casas de batuque e terreiros de matriz africana, e se tornou um ponto de encontro de trabalho e sociabilidade para as famílias negras da região, com destaque para atividades como a lavagem de roupas e o trabalho de costureiras. Além disso, o bairro foi berço de tradições culturais como blocos de carnaval e piqueniques dominicais. No entanto, com o processo de urbanização e transformação social, o antigo território negro se perdeu, embora ainda resista uma presença negra na região.

Bacia do Mont'Serrat

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